Agostinho e a Configuração da Interioridade

Agostinho e a Configuração da Interioridade


Neivor Schuck

Espiritualidade e o cultivo da vida interior (Agostinho)

O maior problema que surge na contemporaneidade é justamente o resultado da falta de uma vida interior. Assim, o problema que surge é justamente a dispersão e a falta de concentração. 

Isso se configura como sendo uma escravidão da exterioridade (para usar um termo Agostiniano), pois se valoriza muito mais as coisas fora de si, em detrimento das sensações da alma e do cultivo do mestre interior (de Magistro).

O valor fundamental deixou de ser o Ser para migrar rumo ao fazer. Deste modo, saber deve implicar em fazer, o saber deixou de configurar-se como uma atividade formativa e completa. Passou-se para a necessidade de adquirir determinadas competências em vista de produzir, opondo-se a própria existência como Ser.

A grande raiz do problema parece ser a exacerbação excessiva do pragmatismo destruindo-se por completo a possibilidade de reflexão e critica uma vez que ambas nada contribuem para a prática.

No entanto, existe uma possibilidade de saída desse cenário nefasto. No entender de Vaz a perspectiva possível é justamente a discussão e reconfiguração do espaço interior, fundada na vida espiritual e no cultivo da interioridade. Poder-se-ia pensar na dimensão religiosa e espiritual do humano.

Isso não significa um sistema rígido e ditatorial, mas uma tentativa de discutir e definir o conceito de espiritualidade e conferi-lhe um fundamento no cultivo da vida interior.

Essa tentativa poderia resultar na sensível melhora das condições de vida dos indivíduos, bem como no respeito ao próximo. Contribuindo de maneira substancial para aproximar o homem de Deus e permitir que o individuo possa lidar com sua existência com mais consciência e responsabilidade.

A tentativa de revolta do movimento ateísta pode ser entendida justamente como a expressão da falta de uma experiência interior de Deus.

A identificação do chamado a ser cristão não acontece meramente pela adoção de uma religião, mas pela espiritualidade que permite responder ao chamado que nos coloca a caminho de ser cristão.

Esse chamado pode ser entendido em três diferentes aspectos que se complementam.

1º Chamado existencial: a ser algo, Ser ontológico.

2º chamado a ser humano: ser chamado à humanidade. Resposta fundamental ao que é o homem? A conceituação do homem sem permanecer na imanência e no fechamento do ser à transcendência. A importância da experiência mística e da antropologia.

3º chamado à transcendência da imanência. Uma conceituação antropológica do ser humano, ser cristão, discípulo ao estabelecer esses diferentes níveis de chamado procura-se a identificação do individuo com a sua mais perfeita realização nestes. Contudo, emerge outro problema que se expressa justamente pela falta de maturidade do individuo que se candidata a ser Cristão. Essa maturidade é entendida em três diferentes ângulos:

1º emocional
2º intelectual
3º espiritual

O papel da maturidade espiritual é justamente permitir o amor pelas coisas e o amor maior as coisas divinas de Deus (frui).

Permitindo a fundamentação no amor a cristo, acentuando mais a essência do cristianismo.

A construção de uma interioridade somente é possível mediante a busca de Deus e aproximação ontológica que é intrínseca ao ser humano.

Deste modo VAZ estabelece que existam três dimensões dentro da mística: chamamos de intencionalidade existencial.
Mística
Deste modo o místico é o sujeito da experiência. O mistério seu objeto, a mística a reflexão sobre a relação místico-misteriosa (VAZ, 2002: 17).

No entender de VAZ o ocidente apresenta três grandes formas de experiência mística, a saber:

1º mística especulativa
2º mística mistérica
3º mística profética (VAZ, 2002: 29)

A primeira pode ser chamada de um “prolongamento da experiência metafísica em termos de intensidade experiencial” (VAZ, 2002: 30).

A segunda é “uma forma de experiência do divino ou de deus” (VAZ, 2002: 47). Pode ser entendida como sendo os ritos litúrgicos nos gregos e no catolicismo.

A terceira é “uma mística que floresce no terreno da palavra de Deus, ouvida e obedecida, que cresce até alcançar o caminho mais perfeito, que dá realidade e consciência a todos os outros caminhos: o caminho da ágape” (VAZ, 2002: 57).

O caminho da deturpação do conceito místico no ocidente passou pela modernidade até atingir no pensamento contemporâneo o âmbito da política resultando no fundamento ideológico do conceito de mística na política.

Manter-se preso à exterioridade dispersa e destrói a intimidade com a interioridade. Por isso que aprofundar um conhecimento da alma só é possível pelo aperfeiçoamento da intimidade com a interioridade. Na experiência colhida no pensamento é essencial encontrar a origem deste pensamento.

A alma governa o corpo de maneira que existe uma hierarquia entre Deus e os homens. Com efeito, consideramos que existe Deus-alma-corpo, sendo que o ultimo depende da penúltima, e esta depende de Deus. Assim, quem sente é a alma e ela não se limita ao mundo. Sentimento é um sentimento da alma. A alma sente qualquer alteração que ocorre no corpo, ela percebe, e extrai uma imagem do que esta sendo pensado.

A relação entre pensamento e linguagem se manifesta na ligação da interioridade e da exterioridade. Sabendo que o ensinar ocorre pela interioridade e a exterioridade contribui com a admoestação. Portanto, nessa relação o aprender não ocorre pela linguagem, ele acontece pelo mestre interior. Não existe uma trajetória linear entre falar e ouvir. O caráter ativo do alvo aponta para a dificuldade de entender que não existe assimilação quando do ensinamento do mestre exterior.

Por isso, a questão fundamental não é como funciona a linguagem. Mas, como é inseparável o fato de apreender e ensinar. A linguagem é um médium (meio) no qual a relação se estabelece.

Por outro lado, a palavra remete algo. Por isso, as palavras sinalizam coisas a serem aprendidas ou recordadas. As palavras são essencialmente signos. E esses expressam idéias ou coisas.

Nós expressamos idéias por intermédio da linguagem. O ato de indicar apresenta a relação entre as palavras e as coisas, entre sinal e coisa. O sinal indica diretamente, quando presente, para que se cumpra a função, (ex: parede). Assim, as idéias não estão diante de nós como coisas.

Por exemplo, expressão e designação divergem. Na relação palavra/idéia precisamos da coisa. A idéia deve estar presente na alma, pois ela possibilita passar da palavra a aquilo que a coisa é. A idéia deve estar presente para compreender o signo.

A compreensão das palavras não é só assimilar os sons. É preciso ascender constantemente rumo à significação constante onde se deve reparar a relação entre sinal e coisa. Isso significa que os atos da alma (Juízos de significação) representam as decisões da alma. A atividade da alma nos leva a compreensão das palavras. Assim, a alma compreende melhor do que quem está falando, porque discerne a verdade presente nas palavras. Pois munida com a capacidade de compreensão ela consegue entender. Com efeito, a mudança deve ser interior, ou seja, é algo pessoal. Portanto, o valor está nas idéias e não nas palavras. Por isso existe a falsidade. Assim, deve haver um acordo entre as palavras e as coisas. No entanto, a palavra é somente um sinal tornando-se presente significação de algo.

Com efeito, o significado depende da visão da coisa. Mas, só compreenderemos as palavras conhecendo as coisas ou as idéias na alma. É por isso que ver é aprender pelo mesmo olhar interior, e não só pela visão física, porque conhecemos através do olhar da alma.

No entanto, se não for possível indicar a coisa, usaremos palavras. Porém, sem a relação direta com a coisa a palavra é um mero som. Pois, não se conhece pela palavra, só é possível conhecer mediante a realização da significação da coisa. Portanto, ninguém aprende unicamente pelo signo.

Logo, conhecimento e transmissão do saber são duas coisas distintas. Porque as palavras não mostram as coisas, ou seja, o sinal por si só é vazio, não tem conteúdo. Portanto, quem ensina é o Mestre Interior. Existe um trabalho interno de articulação entre alma e coisa. Esse processo de articulação e apresentação é composto de três procedimentos:

1-mostrar internamente.
2- designar externamente.
3- teoria da reminiscência (articulação entre memória e palavra).

Desta forma, existe um primado da interioridade, e a palavra é uma admoestação, porém nunca um ensinamento porque quem ensina é o Mestre Interior. Tanto no conhecer como na linguagem o primado é da interioridade.

Por isso, é possível ter imagens prévias e uma compreensão prévia das coisas. A projeção da interioridade nos faz compreender a verdade da narrativa, a compreensão é precedida de Crença. Se não crerdes não compreendereis. A narrativa nos ínsita a consultar as coisas significativas, ou seja, a instância interior da coisa significada.

Portanto, toda lama racional consulta o Mestre Interior. Ou seja, consulta o interior da própria crença. Em alguns momentos recorremos à memória através da rememoração dos acontecimentos pela intelecção. Portanto, temos documentos ontológicos armazenados em nossa memória.  Assim, além do sensível e do inteligível nós temos as imagens. Esse documento presentifica, traz à luz a coisa, ou seja, nos traz a lembrança do passado e a torna presente. A lembrança é a presentificação a partir da memória de si. É presentificação da verdade na memória de Deus. Portanto, é uma segunda visão de si.

Em suma existem duas visões: a das coisas e da memória e da própria visão de Deus. A primeira é em si, e a segunda é em si e de Deus. Assim, a segunda é uma visão em Deus, pois é a visão das próprias coisas de Deus. É a presença de Deus no intimo da alma (Mestre Interior).

Percebe-se uma construção eminentemente filosófica em Agostinho, porque se encontra uma visão filosófica na construção do conceito de memória Deus que se faz presente ontologicamente na alma humana. Por isso, a verdade é sempre uma revelação. Mas a verdade habita no interior de cada homem por causa do Mestre Interior. É possível consultar o Mestre interior pela razão humana. Portanto, a compreensão do inteligível se torna compreensão racional. È por meio da razão que nós encontramos verdades inteligíveis, ou seja, o conteúdo é acessível pela razão, verdade de Fé.

Essa verdade sempre será revelação, seja por algo ou alguém. Só é possível consultar a verdade pela razão. Porém, nem sempre compreendemos a verdade, temos uma compreensão perfeita somente quando atingimos a verdade de Fé. Assim, podemos consultar o mestre interior de duas maneiras:

1 - Por intermédio da razão. 
2 - Pela Fé, sobrenaturalmente.

Do primeiro modo, a pessoa pode ignorar o que é verdadeiro, ela crê, opina, ou duvida. Já no segundo modo, ela não ignora o que são falsas (verdades), ela nega o que está sendo falado. E dentro desta segunda existe ainda uma outra possibilidade, ou seja, a pessoa sabe e afirma o que é verdadeiro.

Por isso, o crer não é meramente acreditar no que está sendo falado, mas entender que existe uma relação entre iluminação e a verdade. Portanto, existe uma ligação ontológica entre Deus e o homem, ou seja, é impossível o afastamento de Deus em relação ao homem. O que pode acontecer é um afastamento moral do homem perante Deus.

Embora sejamos a imagem e semelhança de Deus não podemos ser Deus por uma questão Lógica. Assim, todas as coisas que existem são organizadas em uma hierarquia: segundo Agostinho, 1º-Deus. 2º-homem. 3º-demais seres. Portanto, o único Ser completo é Deus. Ou seja, o homem existe, e Deus É. Porque Deus é o único que é completo por si mesmo. Contudo, nós temos um vinculo com Deus, isto é, o Mestre Interior é o vinculo ontológico do homem com Deus. Por isso, que podemos dizer que o homem é próximo de Deus, porque o Mestre Interior é presença ontológica de Deus no homem. Porém, a revelação da verdade depende da Iluminação, ou seja, a razão não é suficiente para entrar em contato com a verdade da Fé. Por esse motivo, o homem consulta a luz que ilumina as coisas para conhecer a verdade. Assim, as verdades da Fé transcendem a razão. A verdade da Fé é resultado da consulta com o Mestre Interior.

No entanto, a anterioridade da presença de Deus no homem não é uma fundação inata, é a presença anterior da verdade de Deus em cada homem, ou seja, a manifestação Ontológica. Assim, existe uma anterioridade cognitiva e uma presença divina de Deus no homem. Contudo, existem três níveis de manifestação dessa anterioridade 1º- A interioridade Ontológica. 2º- A  interioridade Psicológica. 3º- A interioridade Teológica (verdade interior da Fé).

Para Agostinho as palavras não são mediações, são admoestações, ou seja, ocasião incitada pelo mestre exterior para conseguirmos chegar ao verdadeiro pelo mestre interior. A verdade então, depende da contemplação pela interioridade que só é possível por intermédio do Mestre Interior. Porque, a) o Mestre Interior ensina o que é a verdade, ou seja, a ontologia da verdade.  b) Já o mestre exterior não pode ensinar a verdade ontológica porque apenas transmite o que sabe, ou seja, a parte epistemológica do saber e nunca consegue ensinar, apenas admoesta.

Por conseguinte, o conhecer somente é possível pela visão ontológica e direta da coisa, de maneira sensível1 ou pela idéia. Assim, as palavras são recursos externos para direcionar a busca da verdade no Mestre Interior. O conhecimento e a função de conhecer a verdade devem levar a pessoa à beatitude.

Embora Agostinho aparentemente adote o pensamento Platônico ao assumir a noção de memória, o Santo apresenta a memória como a presença no presente de algo ocorrido no passado, mas uma presença ontológica. Isso difere de Platão porque para o Grego a reminiscência é a rememoração de algo que já fora conhecido no passado, mas não é uma presença ontológica. Portanto, para Agostinho é pela memória ontológica que Deus se faz presente no homem. Essa ligação ontológica com o eterno não implica em dizer que existe uma preexistência da verdade, portanto, não existe um inatismo.

Tudo isso somente é possível ao se apoiar na interioridade, que é totalmente radical resultando na concepção de originalidade da alma. Que por sua vez precisa do conceito de iluminação. Porque existe uma anterioridade e a interioridade de Deus na alma. Portanto, Deus garante a possibilidade da anterioridade e da interioridade da verdade.

Assim, a teoria da iluminação é a ação de Deus no homem por intermédio do Mestre Interior. Deste modo, o Mestre interior permite que estejamos anteriormente diante do conhecimento do verdadeiro e da verdade. Por isso, as palavras apenas indicam as coisas, ao passo que o Mestre Interior expressa a verdade.

Com efeito, a doutrina da iluminação expressa a ação de Deus. Agostinho recorre à Metáfora do sol para explicar como a luz divina ilumina as coisas para que possamos conhecê-las pelo Mestre Interior. Portanto, Agostinho busca o fundamento para a verdade justamente na iluminação divina. Assim, a Metáfora do sol consiste no seguinte: a Terra não é visível por si mesma, mas ao ser iluminada pela luz passa a ser visível. Já a luz permite que seja visível por si mesma e por isso ilumina outrem. Aparece o caráter hierárquico (ontológico e epistemológico), ao aplicarmos isso ao homem no que tange ao conhecimento percebemos que conhecer depende também da luz divina porque sozinho o homem não pode atingir a verdade.

Contudo, se transpormos para a tentativa de inteligibilidade do conhecimento do ser humano constataremos que:

1º A luz ajuda a ver a verdade em sua realidade efetiva.
2º Auxilia a identificar aquilo que é visto como sendo verdadeiro.

Por causa disso, atingir a verdade depende da irradiação de algo que permite identificar a verdade. Portanto, a verdade depende da luz para se manifestar no homem. Existe uma construção metafísica no interior do homem, ou seja, existe uma metafísica da interioridade em Agostinho apoiada na relação Ontológica de dependência do homem perante Deus. Desta maneira, há uma relação intima entre interioridade e iluminação porque a iluminação somente é possível conhecendo o mestre interior e conhecer a verdade depende da luz que atinge as coisas e que este conhece e ensina ao homem. Isso, devido ao vinculo ontológico. Contudo, o intelecto age de maneira ativa para poder ver as coisas iluminadas pela luz.

Por tudo isso, Agostinho não faz propriamente uma filosofia da linguagem, mas ele precisa tratar do problema porque se propõe a pensar a maneira de conhecimento do homem. Assim, para Agostinho a linguagem deve expressar aquilo que as coisas são de modo a indicar o que a coisa é. Portanto, é uma teoria da linguagem fundada na verdade ontológica das coisas que só pode ser atingida mediante o Mestre Interior e à teoria da Iluminação. 

1 Em Agostinho quem sente é a alma e não o corpo, mas tudo o que atinge o corpo a alma sente e tudo o que atinge a alma o corpo sofre.

Referencias:

AGOSTINHO,  De Magistro. Os pensadores. Abril cultural. São Paulo.1973.
ARISTÓTELES,  Metafísica. Trad. Marcelo Perine. Loyola. São Paulo, 2002: 695p. HEIDEGGER, M. Kant y el problema de la metafísica. 1993.
HEIDEGGER, M. Ser e Tempo. 2002. Petrópolis. Vozes.
WITTGENSTEIN,  L. Investigações Filosóficas. São Paulo. Abril. 1975
BECK, L. W. A commentary on Kant’s critique of practical reason. Chicago/London: The university of Chicago press, 1960.
DUTRA, D. V. Kant e Habermas. A reformulação discursiva da ética kantiana. Coleção Filosofia. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002. 310p.
HABERMAS, J. Die Einbeziehung des Anderen, Studien zur politischen Theoirie (a inclusão do outro, estudos sobre teoria políica). Suhkamp. Verlag Frankfurt an Main, 1997. 404p.
HABERMAS, J. A inclusão do outro. Estudos sobre teoria política. Trad. George Sperber, Paulo Astor Soethe (UFPR). São Paulo: Loyola, 2002. 385p.
KANT, I. Crítica da Razão Pura. Trad. ROHDEN, MOOSBURGER. Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 2005. 511 p.
MARTON, S. Nietzsche. A transvaloração dos valores. São Paulo: Moderna, 1993. 119p. (logos).
RAWLS, J. Justiça como eqüidade. Uma reformulação. Trad. Claudia Berliner. Justiça e direito. São Paulo: Martins Fontes, 2003. 306p. 
REALE, G; ANTISERI, D. História da Filosofia. v.III. 6ª edição São Paulo: Paulus, 2003. 1113p.
ROVIGHI, S. Historia da Filosofia. São Paulo. Loyola. 2002:
STEGMÜLLER, W. Hauptströmungen der gegenwartsphilosophie. Eine Kritische Einführung. I Band. Stuttgard: Alfred Köner Verlag Stuttgard,1975. 730p.

Vaz, H. Ética e transcendencia. São Paulo. Loyola. 2002. 

Contato

Educação e Espiritualidade Rua Mirabela sol2409@gmail.com